Polêmica do estacionamento do centro de convenções: amostra do estilo Ibaneis

A questão do estacionamento privativo do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com a cobrança obviamente abusiva de entre R$ 25 e R$ 35 no rotativo, tinha tudo para se tornar um episódio de queda de braço entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a concessionária Capital DF.

E a chama provocada pela fricção começou a crescer – mas o bombeiro improvável foi o governador Ibaneis Rocha (MDB).

Pra quem não está inteirado do tema, aí vai: o valor elevado chamou a atenção da comunidade e virou alvo de reportagens de TV. A Secretaria de Turismo do GDF foi diligente e tratou de enquadrar os empresários.

Quando o incêndio começava a se alastrar o governador Ibaneis entrou em campo para desautorizar a Secretaria de Turismo e puxar para si a responsabilidade.

Teoricamente, a briga não era dele: o contrato foi firmado no governo anterior, de Rodrigo Rollemberg (PSB) e eventuais inconsistências e prejuízos recairiam sobre os ombros do antecessor.

Uma intervenção mais severa, como desenhava a Setur, poderia melindrar o empresariado e dar um sinal oposto do esperado do novo governo. O que fez Ibaneis?

Primeiro, salvou o discurso. Desde a campanha o governador é entusiasta das parcerias público-privadas (PPPs) por acreditar, com sobra de razões, que o Estado não tem condições sozinho de arcar com os custos de investimentos importantes – e que apenas o envolvimento privado pode tirar os melhores projetos da geladeira.

Ibaneis veio a público pra dizer que “segurança jurídica” era um ativo importante deste governo e manter os termos do contrato assinado era fundamental. O Distrito Federal caminha a passos de tartaruga no que diz respeito às PPPs.

Problemas e escândalo na gestão de um simples estacionamento seria um sinal terrível de que o solo do Cerrado não é fértil para esse tipo de acordo.

Depois, ânimos acalmados, empresários conscientes, entrou em campo o negociador: Ibaneis foi ao encontro dos representantes do consórcio e convenceu-os a, de maneira acordada, sem sobressaltos, estabelecer parâmetros de preços mais adequados ao interesse do cidadão que é, acima de tudo, o principal foco de interesse de ambos, empresa e governador.

E assim ficou: de manhã e à tarde, o estacionamento custará entre R$ 0,10 e R$ 0,15, com teto de R$ 25 por 12 horas. Eventos noturnos terão tarifa única de R$ 25, por três horas de uso. Aí, relata-se, entrou o dedo de Ibaneis Rocha e as primeiras duas horas de uso são gratuitas.

Ibaneis, dizem, quer se habilitar como presidenciável. A pacificação e a retomada da credibilidade do setor privado para com o público são marcos importantes para viabilizar essa pretensão.

Nem sempre é possível uma relação ganha-ganha, nem sempre é preferível discutir aquilo que é cristalino, nem sempre é aconselhável renegar o bom-senso. Mas em tempos de beligerância, é um bom caminho o político que gosta de dialogar.

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