Ibaneis no DEM? Troca de partido é aposta arriscada

A ida do governador Ibaneis Rocha (MDB) a Portugal para o Fórum Jurídico de Lisboa já começa a render especulações. Segundo o jornal Correio Braziliense, o governador aventa a possibilidade de deixar o MDB e ir para o DEM.

A possibilidade, muito provavelmente existe. No evento, Ibaneis teve contato com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o manda-chuva, elemento mais destacado do partido em todo país.

Daí, teria vindo o convite. As razões para deixar o MDB já estão dadas há algum tempo. Localmente, no Distrito Federal, a situação de Ibaneis é confortável.

O MDB vinha com grande dificuldade em Brasília e, quando ninguém tinha muitas expectativas, Ibaneis fez uma campanha até certo ponto emergencial. Surpreendentemente, no espaço de tempo de uma campanha, saiu de ilustre desconhecido a governador eleito.

O problema entre Ibaneis e o MDB vem das críticas do governador à postura do partido em relação aos próceres presos, como Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha.

Ibaneis se disse desconfortável com a permanência de ambos na sigla e, embora tenha uma boa relação com o ex-presidente Michel Temer (MDB), praticamente pavimentou sua saída.

Mais do que uma eventual decolagem, a grande dúvida é sobre o local de pouso. O DEM tem um aspecto tentador: desde o início do governo Temer, a sigla se constituiu no partido mais promissor do país.

De patinho feio nos anos petistas a principal fiador de Temer, o DEM ampliou a aposta e lucrou ainda mais no governo Jair Bolsonaro (PSL).

Tem o presidente da Câmara, o presidente do Senado e é a única sigla contemplada com ministérios em boa quantidade na Esplanada.

O sucesso do DEM, porém, traz encanto e ao mesmo tempo perigo. Se for real, a ambição de Ibaneis de ser presidente da República fica bem mais turvada no DEM.

No MDB, um partido em rota descendente, ele poderia de alguma maneira se posicionar para repetir o milagre que fez no DF em 2018 – ainda que o histórico do MDB na construção de presidentes eleitos não seja muito animadora, desde Ulysses Guimarães.

Já no DEM, certamente Ibaneis encontraria concorrência interna forte por uma eventual candidatura presidencial, sem contar alguns desafetos declarados e bem posicionados, como o governador de Goiás Ronaldo Caiado.

Como se fosse pouco, ainda tem um problema mais sério e com o qual a executiva nacional do DEM não parece se mobilizar: o presidente distrital do DEM é Alberto Fraga, candidato derrotado ao governo do DF pelo próprio Ibaneis e com quem desde a campanha não nutre relações muito afetuosas.

Ibaneis é uma figura política em ascensão, o que provoca o interesse de outras legendas. Outro interessado, dizem, é o PDT. Ao que parece, hoje, a filosofia política de Ibaneis é distante demais do receituário do PDT.

Mas e quando filosofia política foi empecilho para uma composição? Quem duvida é porque viu pouco.

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