Falta de patrocínio influenciou no cancelamento do Babydoll de Nylon

Desde 2011 fazendo a alegria do Carnaval brasiliense, o bloco Babydoll de Nylon anunciou que não vai desfilar em 2018. Em coletiva realizada na manhã desta sexta (19/1), o grupo explicou os motivos para a saída das festividades deste ano.

“2017 foi um ano desafiador não só pela proporção que o Babydoll de Nylon atingiu, com 160 mil foliões, como também por situações que tivemos que lidar pela primeira vez, com as quais não nos sentimos confortáveis, como fatos isolados de intolerância, insegurança e desrespeito. Entendemos que é preciso resgatar a nossa essência: continuar um bloco realmente seguro, tolerante e com respeito às diferenças”, informaram os organizadores.

A demora para a garantia de patrocínios privados colaborou para a decisão do bloco. “O Governo dificultou o patrocínio direto das empresas privadas aos blocos, e não apresentou soluções efetivas para a garantia da festa. No dia 9 de janeiro, o GDF voltou atrás. Mas a menos de 30 dias para o Carnaval, seria um tempo curtíssimo para viabilizar um evento desse porte”, explicaram.

Dessa forma, a melhor opção para o grupo foi cancelar a edição deste ano. “Correríamos o risco de potencializar os problemas isolados de 2017. Não poderíamos correr o risco de não dar certo, de não fazer um evento com todas as prerrogativas de segurança que hoje exigimos”, mencionaram.

Raphael Pontual, um dos coordenadores do bloco, lembra que o intuito do Babydoll de Nylon nunca foi arrecadar dinheiro. “Nós, do grupo, não queremos a verba do GDF. Nosso foco nunca foi e nunca será o dinheiro. Todo o investimento sempre existiu para melhorar o evento para o público presente”, ressaltou.

Além da oportunidade aos foliões brasilienses, Raphael destaca que o Babydoll de Nylon atraía muitas pessoas de outras localidades do país. O organizador lamenta a não realização do bloco neste ano. “Recebemos mensagens de pessoas que já haviam se organizado para curtir o Carnaval no Babydoll de Nylon. Pedimos desculpas, e esperamos que as pessoas que vivem o nosso bloco entendam a nossa decisão. Foi uma medida responsável”, comenta.

Próximas edições

Para 2019, o bloco já está se organizando para oferecer um evento mais seguro aos foliões. Diversas mudanças podem acontecer, entre elas o local de realização do Babydoll de Nylon.

“Ficamos muito grandes para a Praça do Cruzeiro. Vamos procurar um novo local. Além disso, podemos fazer algo com um limite de lotação. Muitas pessoas nos relataram a insatisfação pelos problemas do ano passado, e contaram que não participariam neste ano, caso o bloco fosse desfilar. O novo formato não siginifca elitização ou segregação do Babydoll de Nylon, mas queremos proporcionar um controle na quantidade de foliões. O evento continuará gratuito”, pontuou Rosely Youssef, outra integrante do bloco.

Por sua vez, David Murad espera que o Carnaval de Brasília seja mais respeitado. “É necessário o reconhecimento do Carnaval como uma festa que traz alegria à população. Que sejam criadas novas soluções para que todas as manifestações culturais de Brasília possam colocar suas cores na rua da cidade”, lembra. Ele pontua, ainda, que os blocos que desfilarem neste ano terão de enfrentar muitos desafios. “Outro importante bloco, o Confronto, não vai sair para as ruas, por motivos semelhantes aos nossos. Os blocos que desfilarem serão guerreiros”, ressaltou.

Apesar de tudo, David faz um pedido aos foliões. “Não é porque o Babydoll de Nylon não vai desfilar que as pessoas não podem curtir o carnaval fantasiados com babydoll. Portanto, aos brasilienses que curtirão o Carnaval deste ano, não se esqueçam da gente. Isso não é uma despedida, é um até logo.”

 

FONTE: Correio Braziliense


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