Ambulatório Trans do DF recebeu mais de 100 pacientes em 4 meses

Desde agosto de 2017, moradores do Distrito Federal que tenham qualquer tipo de conflito de gênero são atendidos, de graça, em um ambulatório com equipe multiprofissional para que possam tirar dúvidas e ter acompanhamento adequado. Em quatro meses, 102 pessoas utilizaram o serviço.

Para o gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável da Secretaria de Saúde, Vittor Ibanes, o ambulatório é fundamental para garantir saúde física e mental para os pacientes.

Além de psicólogo e psiquiatra – que são os mais procurados – os pacientes do Ambulatório Trans contam ainda com profissionais de enfermagem, serviço social e endocrinologia. Esta última especialidade médica é a mais procurada depois dos cuidados com a saúde mental.

Segundo Ibanes, quando o uso de hormônios é indicado, um endocrinologista precisa acompanhar o paciente. A Secretaria de Saúde informou que os hormônios ainda não são distribuídos na unidade — que aguarda credenciamento e repasse do Ministério da Saúde.

Serviço de saúde universal
Piettra Helena Borges, de 21 anos, é uma das pacientes do ambulatório que fica na Asa Sul de Brasília. A jovem diz que passou a se identificar como mulher na adolescência e “sentia-se em um corpo errado”.

Ela conta que aos 14 anos passou a receber ajuda de uma equipe médica do Hospital Universitário de Brasília e, em seguida, começou a trabalhar. “Quando recebi meu primeiro salário comprei vários itens femininos e falei para minha família que me chamassem de Piettra e que queria respeito”, diz a estudante de letras.

Piettra afirma que o mais importante do Ambulatório Trans é o acolhimento e o atendimento psicológico, que em uma rede particular ela não conseguiria pagar.

Para o psicólogo da equipe, André Peredo, a criação do Ambulatório Trans faz parte da defesa de um serviço de saúde universal público de qualidade e de vanguarda. Ele faz parte do grupo que começou a articular a viabilização do local em 2016.

“No ambulatório, cabe à [área de] saúde mental avaliar a disforia de gênero, ainda que o enfoque seja para o cuidado, avaliar a possibilidade de agravos psiquiátricos e terapeuticamente oferecer meios para o tratamento, como psicoterapia individual e em grupo”, explica Peredo.

Nicole Abreu, de 23 anos, diz que não tinha nenhum amigo trans e as atividades em grupo a ajudaram a entender os próprios conflitos.

A Secretaria de Saúde do DF explica que para buscar acompanhamento no Ambulatório Trans é preciso agendar a participação em um grupo de entrada. No primeiro encontro, os profissionais explicam como funciona o trabalho e colhem informações sobre as expectativas dos futuros pacientes.

“Antes de serem encaminhados para as consultas com cada especialista, eles passam por entrevistas para identificar as principais necessidades de cada um”, define a enfermeira Karyne Leão, que trabalha no local.

As reuniões de acolhimento ocorrem duas vezes por mês, em terças ou quintas-feiras intercaladas. O ambulatório atende terças e quintas-feiras.

Ambulatório Trans do DF
Hospital Dia, 508/509 Sul
Segunda a sexta-feira, das 7 às 12 horas e das 14 às 16 horas

FONTE: G1/DF


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