Saúde do DF cancela cirurgia de idosa com câncer, três vezes, por falta de UTI

Com câncer ginecológico grave, uma paciente de 83 anos do Distrito Federal teve a cirurgia cancelada três vezes, neste ano, por falta de leitos de UTI. Segundo a filha, que é servidora pública, a idosa chegou a dar entrada no Hospital de Base, e teve de retornar para casa sem o procedimento.

“E voltamos para casa, ela muito decepcionada, muito triste, e o quadro só está evoluindo, né, piorando nesse tempo todo. Muito deprimida, muito depressiva. E a gente questiona: qual a posição da Secretaria de Saúde? Não tem leito, não tem UTI, não tem nada. Morre em casa?”, desabafa a filha.
Em nota enviada à TV Globo, a Secretaria de Saúde chegou a dizer que a cirurgia aguardada pela paciente era “eletiva (sem gravidade)”, e que diante da grande demanda, o Hospital de Base estava priorizando “casos de urgência/emergência”.

Questionada novamente, a pasta enviou novo comunicado trocando o termo “sem gravidade” por “sem urgência”, mas mantendo o posicionamento em relação à espera. Segundo a secretaria, nesta quinta, o Base não tinha leitos de UTI disponíveis para que a idosa pudesse ficar internada.

Acúmulo de pedidos
Sem respostas no hospital, a família procurou a Defensoria Pública do DF. Apenas neste ano, o órgão já atendeu 20.979 casos de pessoas que buscam acesso digno e rápido a serviços de saúde pública na capital.
Considerando apenas os pedidos de leitos de UTI, a Defensoria Pública recebeu 926 pedidos, que geraram 619 ações judiciais. O número é superior ao registrado em 2016, quando houve 706 atendimentos e 560 ações.
Das 619 ações protocoladas em 2017, segundo a Defensoria Pública, 516 tiveram decisão judicial favorável às famílias, mas foram descumpridas pela Secretaria de Saúde. Mesmo com a liminar (sentença provisória), as famílias não conseguiram vagas nas UTIs.

“Os familiares chegam aqui extremamente sensibilizados e apreensivos, buscando atendimento imediato. E a gente está falando de atendimentos de UTI, são pessoas que estão no limiar entre a vida e a morte”, diz o defensor público Daniel Vargas.

 

Leitos bloqueados
Nesta quinta, o Portal da Transparência do DF mostrava que, 25 dos 71 leitos de UTI do Hospital de Base – a maior unidade de saúde do DF – estavam bloqueados, sem uso, por falta de profissionais. O número corresponde a 35% da capacidade total de tratamento intensivo do hospital.

A situação se repete no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), na Asa Sul, e nos hospitais regionais de Gama, Sobradinho e Taguatinga. Em todos eles, há leitos de UTI equipados e prontos para uso, mas que estão bloqueados porque não há equipe médica para atender.

Enquanto isso, em outros hospitais, são as próprias instalações que oferecem risco e tiveram de ser bloqueadas. Há 21 leitos nessa situação em Santa Maria, 6 no Hmib, 4 em Sobradinho e 2 em Samambaia, por exemplo.

 

FONTE: G1/DF


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