Médicos perdem queda de braço com governo

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Mais uma categoria decidiu por fim a greve. Em assembleia nesta quinta-feira, 12, os médicos decidiram voltar a rotina de trabalho. No entanto, não aceitaram a proposta do governo. Eles estavam em greve desde 8 de outubro e somente os serviços de emergências, urgências, enfermaria e Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) estavam funcionando.

Segundo nota publicada pelo SindMédico, o fim da greve se deu por causa do “respeito à decisão da Justiça, que negou provimento ao agravo regimental relativo ao direito de greve dos médicos, e à população”. E chamou de “pedalada” a proposta do governo de adiar para outubro de 2016 o reajuste dos servidores.

De acordo com a entidade, haverá uma “pedalada” ainda maior, para 2017, dos valores que não estão sendo pagos, “Caracteriza um claro calote. Com essas manobras, o governo Rollemberg sinaliza que não respeita a decisão judicial que considerou legal o aumento, desrespeita a obrigação constitucional de recompor    os salários pelos índices de inflação”, diz.

As perdas inflacionárias da categoria estão calculadas, segundo as contas do SindMédico, em até 40% dos salários até o fim deste governo.  Assim, o governo vence mais uma queda de braço com os servidores públicos do Distrito Federal.

proposta para o sindsaude

 

Veja a nota do SindMédico na íntegra:

Reunidos em assembleia, na sede do sindicato, os médicos votaram o fim da greve, mas não aceitaram a proposta do governo. Veja a nota divulgada pelo SindMédico-DF:

Em respeito à decisão da Justiça, que negou provimento ao agravo regimental relativo ao direito de greve dos médicos, e à população, maior vítima do apagão administrativo desse governo, reunidos em assembleia na noite desta quinta-feira, 12 de novembro, na sede do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), os médicos que trabalham no serviço público do DF decidiram suspender o movimento grevista.

A categoria entende que a proposta de “pedalada” para outubro de 2016 do reajuste que entrou em vigor em setembro deste ano, com “pedalada” ainda maior, para 2017, dos valores que não estão sendo pagos, caracteriza um claro calote. Com essas manobras, o governo Rollemberg sinaliza que não respeita a decisão judicial que considerou legal o aumento, desrespeita a obrigação constitucio-nal de recompor    os salários pelos índices de inflação e deixa claro que pretende impedir as legíti-mas negociações salariais nos próximos anos. As perdas já são calculadas em até 40% dos salários até o fim deste governo, cortando o poder aquisitivo de milhares de famílias e gerando impacto re-cessivo em toda economia brasiliense, que, não bastasse, já é a atual campeã de inflação no cenário nacional.

Ao mesmo tempo, o governo desrespeita a população aplicando mal recursos financeiros. Ao passo que faltam remédios e não se consertam equipamentos essenciais para a manutenção da vida dos pacientes, gastam-se milhões com combustível para o helicóptero do governador e com gás de pi-menta – só no dia seguinte ao espancamento dos professores no Eixão, o governo destinou R$ 6,4 milhões a uma dessas aquisições. 

Sem proposta financeira feita à categoria, mantido o calote aos servidores que inclui o atraso no pa-gamento de horas extras, férias, 13º salário e indenizações de licenças-prêmio não gozadas, a clas-se médica demanda dos gestores públicos, ao menos, a priorização da recomposição de estoques de medicamentos e insumos, bem como a recuperação de equipamentos médico-hospitalares danifi-cados e contratação de profissionais de saúde concursados para atendimento adequado aos usuá-rios da rede pública de saúde. 

É com surpresa que verificamos que, na proposta de orçamento para 2016, o governo atropelou a garantia básica do direito à saúde ao condicionar boa parte dessas despesas a um eventual aumento de arrecadação, mas garantiu R$ 150 milhões para tentar maquiar o caos da cidade com publicidade e mais R$ 140 milhões para financiamento de grandes empresas por intermédio do Fundo de Desenvolvimento do Distrito Federal (Fundefe). Nossos pacientes não podem virar reféns da necessidade do Executivo de impor ao Legislativo sua verdadeira devoção em aumentar impostos.

A assembleia dos médicos aprovou o encaminhamento à Câmara Legislativa do Distrito Federal de pedido de Audiência Pública para que seja discutido o atual caos no sistema público e a proposta orçamentária do governo para a saúde. Também deliberou por encaminhar ao Executivo, tendo em vista o reiterado anúncio de que as contas estão abertas, o pedido de realização de auditoria das contas, a ser realizada por organização não governamental idônea e não ligada a qualquer partido político. Chega de calote aos servidores! Chega de calote aos pacientes da rede pública! Chega de calote à população!

 


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